Thiago Azevedo
Certo homem que durante muito tempo tinha plena certeza das coisas e possuia de certa forma grande valor. Servia todos os domingos no templo, apoiando os pastores, diáconos, dava aulas regularmente na EBD, dava seu dízimo disciplinarmente sem pestanejar e congregava numa igreja evangélica de cerca de 3.000 pessoas no centro da cidade.
Este homem conhecia todas as entrâncias e políticas da sua denominação, lutava por melhorias estruturais e queria acima de tudo uma igreja forte, com isso não media esforços para ver esse sonho realizado. Gastava horas e dias na igreja, servindo-a, acreditando estar cumprindo a vontade de Deus.
Certo dia, quando se dirigia à igreja para a EBD e o culto de domingo, viu um homem estranho sentado na sarjeta do lado de fora da igreja, aproximou-se dele e começaram a conversar.
- Olá. Disse o homem.
- Olá.
- Porque estás sentado aqui do lado de fora, não queres entrar na igreja e cultuar a Deus comigo?
- Não me deixam entrar, então resolvi ficar aqui fora observando os pássaros e as árvores e quem sabe ter alguém com quem pudesse compartilhar esse momento. Não queres sentar aqui comigo?
- Sabe, é que estou me atrasando para meu comprimisso com o Senhor.
- Que Senhor é esse? Perguntou o maltrapilho.
- É o Senhor Jesus, Ele morreu para nos salvar e estou retribuindo sua dávida, vindo à igreja, onde posso adorá-lo e glorificar Seu nome, através do amor.
- O seu Jesus disse para vir à Igreja?
- Na verdade não disse, mas pela tradição fazemos isso?
- Porque?
O homem parou um pouco e pensou profundamente porque fazia aquilo todo o domingo se quado lia a Bíblia não encontrava nenhuma referência sobre ir à igreja, pelo contrário, sempre se questionava sobre o ser igreja. E com isso resolveu ficar sentado com aquele homem e lhe ouvir dizer.
- Na verdade não sei bem o porque fazemos isso. Quando leio a Bíblia encontro referências sobre ser igreja e não ir até ela.
- Bem, pelo que conheço da história, esse tal Jesus que você fala, morreu por uma causa muito grande. Ele tinha doze seguidores, os quais preparou com muito carinho e cuidado para viver de acordo com um código, um sistema.
- Isso.
- Esse sistema podemos verificar diversas vezes no Novo Testamento, se chama amor. Ora, quando se ama, não se pode amar estruturas ou objetos, mas pessoas, por isso vejo que esse Jesus andava mais do lado de fora das sinagogas do que dentro delas. Justamente porque a política, o poder, a arrogância da religião judaica havia expulsado Deus de dentro de seu sistema religioso. Por isso encontramos profetas como Oséias que gritam por Deus dizendo: Misericórdia quero e não sacrifício. Sabe o que significa isso?
- Que Deus não quer que vivamos através de rituais sem vida e nem sentimento, pelo contrário, quer que tenhamos um sentimento de humildade e solidariedade.
- Justamente, porém o que os homens fazem? Criam para si novos sistemas, mudando os discursos, mas que nas suas práticas permanecem as memas realizadas na época dos profetas.
- Mas Deus nos disse que deveríamos pregar sua mensagem até os confins da terra e a igreja tem sido um canal importante para essa propagação, então precisamos dela.
- Jesus havia delegado essa responsabilidade à pessoas e não a organizações, estruturas políticas, ritos. Quando ele subiu aos céus, não havia deixado nada, além de pessoas e a principal missão que delegou aos seus discípulos, fora que se amassem uns aos outros asssim como ele os amou. Então, você vê isso dentro de sua igreja?
- Vejo, nós nos amamos.
- Mas então onde estão os deficientes, os pobres, os miseráveis desta terra. Porque não está dentro da igreja com vocês.
O homem fez um profundo silêncio, como que não soubesse responder, ou tivesse medo de sua própria resposta. Após alguns segundos o homem continuou.
- Vocês falam do amor de Deus como um simples sentimento, mas se observarmos bem esse amor é muito mais concreto em ações, esse amor de Deus é inclusivo e irresponsável, pois não leva em conta suas impressões de quem deve ou não ser incluído neste reino, na verdade, todos estão inclusos. Todos deveriam caminhar juntos de mãos dadas.
- Como assim?
- Vocês falam de salvação da alma? Mas Deus fala de resgate da vida. Lembra das parábolas de Jesus, todas elas falam de amor, de compaixão, de misericórdia e principalmente, resgate, a parábola do Pai Amoroso, da Moeda perdida, da ovelha perdida e assim por diante. Essa deveria ser a atuação da tal igreja de Cristo, porém, os cristãos se acomodaram e constituiram para sim templos onde levam as pessoas para cultuar a Deus e isso quebra totalmente o racioncínio da conversa feita entre Jesus e a mulher samaritana.
- Mas Deus pode usar a igreja, não pode?
- Na verdade, hoje Deus está mais do lado de fora da igreja, esperando sentado na sarjeta por alguém que queria desfrutar com Ele da beleza de sua criação, do que ficar aprisionado numa estrutura de concreto, frio e escuro.
- Mas fazemos isso pra Ele.
- Perguntaram alguma vez se Deus queria isso.
- Mas não fomos feitos para Seu louvor.
- Não, Deus, quando enviou seu filho ao mundo, não foi para morrer pelos pecadores, mas para amá-los é nisso que mora o mistério da fé e da graça, o amor. Quando Jesus constituiu seres humanos para serem os verdadeiros templos de Deus nesse momento houve um processo de recriação da humanidade, onde não fomos feitos para seu louvor, ou para louvá-lo, mas para sermos simplesmente amor. Deus não é amor?
- Sim.
- Se Deus é amor, então a natureza dos cristãos, ou daqueles que vivem dentro da ótica divina seria o amor, não é verdade? Então como manifestar o amor de Deus? Jesus nos dá várias vezes a resposta, mas em especial na parábola do bom Samaritano. Agora, dá para amar ao próximo preso a um sistema como a igreja?
- Dá.
- Mas quando você se torna membro da política interna da igreja, onde há conchavos, lutas por interesses, mandos e desmandos, questões financeiras, intrigas e etc. Ainda dá para exercitar essa natureza de Deus?
- Realmente não dá, na verdade, quando nos envolvemos com estas coisas burocráticas perdemos um pouco a simplicidade de tudo isso que dizes. Mas não há como se libertar disso.
- Se creres em Cristo verdadeiramente serás livre. Livre da burocracia, da institucionalização do amor e poderás sentar comigo aqui, conversar e desfrutar da beleza destas árvores, do canto dos pássaros. Poderemos andar e abraçar as pessoas e chorar pelos oprimidos deste mundo. Sem crises, sem lei, sem dogma. Jesus nos chama para longe da religião, mesmo que para isso nos sintamos sozinhos.
- Essa perspectiva me dá medo.
- Realmente, a princípio os discípulos também tiveram medo, porque a maioria eram bons judeus, religiosos, apesar de excluídos e discriminados. Com o tempo e a cada caminhada, viam com segurança o amor de Deus se manifestar em cada um, mesmo quando pecavam.
- Não sei o que pensar.
- Fique em paz, apenas deixe fluir o amor de Deus na sua vida e verás que é muito mais fácil se livrar da religião do que você pensa.
Eles se levantaram e o homem parou um pouco para respirar e tentar absorver tudo aquilo e fez isso olhando para os céus e quando voltou a olhar para aquele que lhe contava tudo aquilo, viu que tinha partido de forma misteriosa deixando no local apenas uma rosa com alguns espinhos.
Aquele homem pegou a rosa e a guardou em sua bíblia, mas antes a observou com cuidado e viu todos os seus cravos e se recordou da coroa de espinhos de seu mestre e nesse momento percebeu quem era o homem que lhe falava de forma tão doce, porém tão profunda.
Era Jesus de Nazaré.
Paz e bem
Caminho de Emaús
-
Vamos andando
Por essa longa estrada
Tristes e sozinhos
Pelos fatos ocorridos
Apenas com o sol
A nos iluminar
Tão árduo caminho.
Assim como a luz se põe
No...
2 dias atrás























Divulgue o Descanso da Alma






