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CancaodaFloresta

Curta esse descanso

quinta-feira, 21 de março de 2013

Lamento de Curió


Esse poema surgiu da necessidade existencial ao ver da minha janela, um pobre Curió preso em sua gaiola, posta por meu vizinho todas as manhã para "ver" o sol e a natureza.
E como cantava, cantava de uma forma tão sublime que fiquei a pensar que seu canto não era lindo por ser alegre, mas triste.
Colocá-lo para ver o sol, não era para se sentir feliz, mas torturado. Então deixei esse poema amadureceu e resolvi escrevê-lo agora.

Encontro nas trevas
a luz do teu olhar,
na gaiola que me prende,
um horizonte a torturar,
um sol que vejo surgir,
meu lamento,
só o que posso dar,
meu voo é tão contido
que não consigo imaginar,
que há muito mais
do que a vista pode avistar,
na suspensão do pensamento,
do tempo,
do sonhar,
que um dia pode haver liberdade,
ou alguém para libertar...

Março/2013

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Nuvem de Amor



Essa música começou a nascer a partir de minhas caminhadas noturnas em meu condomínio e a cada volta dada, olhava a janela do meu apartamento e via minha esposa e minhas filhas acenando e meu veio a imaginação de como seria se nosso amor fosse apenas platônico e houvesse uma rota de fuga em nossos destinos que não nos fizesse cruzar.

Aí outras coisas que remetiam a infância surgiram, como os desenhos nas nuvens e junto com meu amigo e parceirão Mário Valladão, completamos a poética da letra e ele me trouxe a beleza desta melodia que coroa o imaginário deste amor.

Nuvem de amor
Letra: Thiago Azevedo/Mário Valladão
Música: Mário Valladão
Voz e violão: Mário Valladão


De repente o tempo se abriu
e a gente cresceu assim...
e meio sem querer
você partiu
pra um lugar sem mim

Fevereiros... Marços... Abril
o quanto doeu esperar
e a brisa trouxe enfim
cartas de amor
pra eu me apaixonar
Quando guardei você
dentro do meu coração
peguei uma nuvem no céu
fiz seu desenho no chão

Naquele nosso jardim
de rosas, jasmim...

E se o vento tocar
a nossa canção
Você vai lembrar de mim?
E se o vento tocar
a nossa canção
Você vai voltar pra mim?

18/12/2012

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Vitória-régia

As cortinas da noite
que se abriram ao luar
Refletindo nestas águas
doce brilho do olhar.

Jovem índia mais bela
Em seus Sonhos, o amor
e desejos de estrelas
no afago de uma flor.

|:Num anseio de nascente
correm nas águas do rio
Uma beleza tão régia
que ninguém jamais viu.

Barco ama das margens
a flor rainha do rio
semeando puro perfume
Nos abraços ao luar:|

As belas canções de amor
Que a lua aprendeu cantar
Sobre a mais bela flor
Que o rio faz dançar.

Rainha guia das águas
Ao horizonte do mar
No regaço das estrelas
Amor sereno ao luar.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Sempre

Sempre

O tempo passou
nos olhos cansados,
contam histórias,
guardadas na memória
de quem muito ficou.

O tempo se esqueceu,
imortalizou o vento,
mortalizou os sentimentos
e esqueceu nas nuvens,
o desejado alento.

E quem sonhou pra sempre,
pra sempre é sempre um fardo
duro de se carregar.

Sempre feliz,
sempre triste,
sempre rir,
sempre chorar,
sempre em mim,
sempre nós,
sempre eterno,
sempre pesar,
sempre alguém,
            sempre além,
                           sem...

Thiago Azevedo

Belém, 26 de dezembro de 2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Sobre anjos e Rouxinóis...


Thiago Azevedo


Durante muito tempo deixei no escuro qualquer coisa referente aos anjos, tinha apenas o que o senso comum havia estabelecido, homens altos, loiros de olhos azuis com asas gigantescas e brilhantes, enfim, uma visão altamente eurocentralizada e masculina, pois nunca pensamos em anjos com aspectos femininos, ou negros, pra quê um anjo negro? Se na cabeça da teologia dominante que recebemos, Jesus era branquinho, limpinho e seus convivas também deveriam ser da mesma forma.

Mas há coisas que somente a poesia é capaz de fazer, ou desfazer neste caso. Sou um apaixonado pela canção Rouxinol do Milton Nascimento, entretanto, ainda não havia “pousado” para pensar melhor sobre uma nova possibilidade que esta canção poderia apresentar sobre uma perspectiva sobre o Sagrado.

Foi o que me ocorreu nesta manhã, após deixar minha esposa em seu trabalho e retornando para casa, num determinado momento do percurso, essa canção começou e me tomou os sentidos. Fui passeando pela sua melodia e nos desenhos que se formavam com a divina interpretação do mestre Bituca, até que chega o momento mais sublime quando ele canta: “Todos os pássaros / anjos dentro de nós / uma harmonia trazida / dos rouxinóis”.

Num momento de profunda emoção, me veio à mente as imagens e os sons dos mais belos pássaros que povoam nosso mundo e como eles compartilham entre nós seu mais precioso canto e concordei com o Milton, desconstruindo a lógica do anjo gente, pensei no anjo pássaro e conclui que Deus havia de ser nosso mais sublime poeta de verdade, pois só Ele poderia deixar velando por nós pássaros em sua cantoria que nos traz alento à alma, ora quem não se faz enlevar pela suavidade do canto de um canário, ou mesmo pelo balé singelo de um colibri?

Só anjos podem possuir profunda beleza e ao mesmo tempo se deixar habitar no maior de todos os paradoxos, como diz meu grande parceiro Mário Valladão: “eterna é a canção”, porém, ela habita na efemeridade simples e frágil dos anjos/pássaros que morrem e são aprisionados pela ganância dos homens.

Sempre visualizamos os anjos, como potenciais guerreiros, principalmente por conta dessa histeria nossa de guerrear contra qualquer coisa, afinal, somos “exército de Deus” e mais ainda por conta das clássicas orações que emitem o: “que acampem teus anjos em nosso derredor” e etc, pensamos imediatamente em seres de túnicas brancas com espadas de fogo nos circundando. Mas o Milton me deu outra perspectiva desse “acampado dos anjos”. Agora quando pedir isso e ouvir um pássaro cantando em minha janela, imaginarei que minha oração foi atendida e que Deus enviou “todos os pássaros / anjos dentro de nós”, e para que isso ocorra da melhor forma possível, seguirei o conselho de meu amigo e parceiro Gladir Cabral: “Cuida do passarinho e também da flor / eles esperam pelo teu amor”. Da mesma forma que os anjos nos amam dando-nos sua mais sublime canção, devemos amá-los, dando-lhe onde habitar, não as gaiolas que transformam seu canto de liberdade em lamento, mas flores e árvores, onde possam fazer seus ninhos e com isso nos trazer o bem aventurado consolo divino.

Por que penso assim? Ora, o Sagrado que nos inunda com seus absurdos me permitiu, pois primeiro tornou-se palavra, logos, verso, depois a figura insignificante e frágil da infância e depois pousou sobre si próprio em forma de pássaro, depositando seu Espírito sobre seu filho amado, quer coisa mais absurda que essa?

Se fosse um escritor dos livros Sagrados, narraria o nascimento de Jesus de forma diferente, não colocando os anjos descritos como seres parecidos como os humanos. Mas ao nascer o menino que se nos deu, a passarada se reuniria para entoar o mais belo de todos os cantos, Rouxinóis, Uirapurus, Canários, Curiós, Sabiás, Bem-te-vis e muitos outros, fazendo do céu um colorido vitral de penas e aqueles que não cantam, alegrariam os ares com sua dança, sendo liderados pelo pequeno e frágil Beija-flor e com toda certeza, os pastores que vislumbrariam essa cena, não teriam dúvidas de que ali nascera o nosso maior Rouxinol...
Rouxinol tomou conta
Do meu viver
Chegou quando procurei
Razão pra poder seguir
Quando a música ia
E quase eu fiquei
Quando a vida chorava
Mais que eu gritei
Pássaro
Deu a volta ao mundo
E brincava
Rouxinol me ensinou
Que é só não temer
Cantou
Se hospedou em mim

Todos os pássaros
Anjos dentro de nós
Uma harmonia trazida
Dos rouxinóis
Milton Nascimento
Paz e bem

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O olho do furacão

Thiago Azevedo

Engraçado utilizar esse tipo de título principalmente após o acontecimento de o furacão Sandy assolar Cuba e os EUA, porém, tem haver com muitos momentos em nossa vida. Enfim, passei muito tempo sem escrever uma crônica, me sinto até destreinado, pois afinal, tenho me voltado exclusivamente à poesia e letra de canções com meus amigos/parceiros de vários recantos do país.

Por que citei a questão do furacão e a relação à nossa história? Bom, tenho hábito de sempre escrever um texto refletindo sobre a trajetória em cada ano que se passa em minha vida, tendemos a ficar nostálgicos e viver diversas reminiscências da infância. Recebi de presente um poema que havia escrito em 2010 de um amigo nas redes sociais e que depois virou uma canção junto com Fabrício Matheus, nela falo da beleza da infância e desse olhar que projetamos para trás como algo positivo e bom.

Entretanto, o presente se apresenta com uma projeção para o futuro, um trampolim que nos lança à incerteza, pois vejo que continuamente estamos dançando no olho do furacão, diante do caos que é viver, aprendemos a descobrir a beleza que é aprender a viver. Não há fórmulas ou planejamentos que não possam ser desfeitos pelas vicissitudes que nos apresentam constantemente.

Hora estamos diante de escolhas e não escolhemos o que é melhor, mas perder a oportunidade de descobrir qual o resultado do outro caminho e quando olhamos pra trás pensamos: Como seria a vida se tivesse tomado o outro rumo? Tentamos nos consolar desmerecendo a outra estrada, porém, a verdade é que existe em nós a angústia em saber que sempre vamos perder alguma coisa com nossas escolhas e nunca saberemos de fato o quê. Conjecturamos, mas nunca saberemos a veracidade das nossas “não escolhas”.

Esse olho do furacão que nos assola, nos persegue, nos destrói e para depois podermos aprender a reconstruir, sempre existirá, porque não nos acostumamos com vidas tranquilas, acredito até que ela não exista, pois para crescer, precisamos nos sentir em meio ao caos, efetuar escolhas, escolher perdas e danos e com isso continuar a caminhar para mais um degrau de nossa evolução enquanto seres humanos.

Como diria o mestre Gonzaguinha:
E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão...
Paz e bem

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