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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

barra blog02Do lado de fora


Thiago Azevedo


Certo homem que durante muito tempo tinha plena certeza das coisas e possuia de certa forma grande valor. Servia todos os domingos no templo, apoiando os pastores, diáconos, dava aulas regularmente na EBD, dava seu dízimo disciplinarmente sem pestanejar e congregava numa igreja evangélica de cerca de 3.000 pessoas no centro da cidade.

Este homem conhecia todas as entrâncias e políticas da sua denominação, lutava por melhorias estruturais e queria acima de tudo uma igreja forte, com isso não media esforços para ver esse sonho realizado. Gastava horas e dias na igreja, servindo-a, acreditando estar cumprindo a vontade de Deus.

Certo dia, quando se dirigia à igreja para a EBD e o culto de domingo, viu um homem estranho sentado na sarjeta do lado de fora da igreja, aproximou-se dele e começaram a conversar.

- Olá. Disse o homem.
- Olá.
- Porque estás sentado aqui do lado de fora, não queres entrar na igreja e cultuar a Deus comigo?
- Não me deixam entrar, então resolvi ficar aqui fora observando os pássaros e as árvores e quem sabe ter alguém com quem pudesse compartilhar esse momento. Não queres sentar aqui comigo?
- Sabe, é que estou me atrasando para meu comprimisso com o Senhor.
- Que Senhor é esse? Perguntou o maltrapilho.
- É o Senhor Jesus, Ele morreu para nos salvar e estou retribuindo sua dávida, vindo à igreja, onde posso adorá-lo e glorificar Seu nome, através do amor.
- O seu Jesus disse para vir à Igreja?
- Na verdade não disse, mas pela tradição fazemos isso?
- Porque?

O homem parou um pouco e pensou profundamente porque fazia aquilo todo o domingo se quado lia a Bíblia não encontrava nenhuma referência sobre ir à igreja, pelo contrário, sempre se questionava sobre o ser igreja. E com isso resolveu ficar sentado com aquele homem e lhe ouvir dizer.

- Na verdade não sei bem o porque fazemos isso. Quando leio a Bíblia encontro referências sobre ser igreja e não ir até ela.
- Bem, pelo que conheço da história, esse tal Jesus que você fala, morreu por uma causa muito grande. Ele tinha doze seguidores, os quais preparou com muito carinho e cuidado para viver de acordo com um código, um sistema.
- Isso.
- Esse sistema podemos verificar diversas vezes no Novo Testamento, se chama amor. Ora, quando se ama, não se pode amar estruturas ou objetos, mas pessoas, por isso vejo que esse Jesus andava mais do lado de fora das sinagogas do que dentro delas. Justamente porque a política, o poder, a arrogância da religião judaica havia expulsado Deus de dentro de seu sistema religioso. Por isso encontramos profetas como Oséias que gritam por Deus dizendo: Misericórdia quero e não sacrifício. Sabe o que significa isso?
- Que Deus não quer que vivamos através de rituais sem vida e nem sentimento, pelo contrário, quer que tenhamos um sentimento de humildade e solidariedade.
- Justamente, porém o que os homens fazem? Criam para si novos sistemas, mudando os discursos, mas que nas suas práticas permanecem as memas realizadas na época dos profetas.
- Mas Deus nos disse que deveríamos pregar sua mensagem até os confins da terra e a igreja tem sido um canal importante para essa propagação, então precisamos dela.
- Jesus havia delegado essa responsabilidade à pessoas e não a organizações, estruturas políticas, ritos. Quando ele subiu aos céus, não havia deixado nada, além de pessoas e a principal missão que delegou aos seus discípulos, fora que se amassem uns aos outros asssim como ele os amou. Então, você vê isso dentro de sua igreja?
- Vejo, nós nos amamos.
- Mas então onde estão os deficientes, os pobres, os miseráveis desta terra. Porque não está dentro da igreja com vocês.

O homem fez um profundo silêncio, como que não soubesse responder, ou tivesse medo de sua própria resposta. Após alguns segundos o homem continuou.

- Vocês falam do amor de Deus como um simples sentimento, mas se observarmos bem esse amor é muito mais concreto em ações, esse amor de Deus é inclusivo e irresponsável, pois não leva em conta suas impressões de quem deve ou não ser incluído neste reino, na verdade, todos estão inclusos. Todos deveriam caminhar juntos de mãos dadas.
- Como assim?
- Vocês falam de salvação da alma? Mas Deus fala de resgate da vida. Lembra das parábolas de Jesus, todas elas falam de amor, de compaixão, de misericórdia e principalmente, resgate, a parábola do Pai Amoroso, da Moeda perdida, da ovelha perdida e assim por diante. Essa deveria ser a atuação da tal igreja de Cristo, porém, os cristãos se acomodaram e constituiram para sim templos onde levam as pessoas para cultuar a Deus e isso quebra totalmente o racioncínio da conversa feita entre Jesus e a mulher samaritana.
- Mas Deus pode usar a igreja, não pode?
- Na verdade, hoje Deus está mais do lado de fora da igreja, esperando sentado na sarjeta por alguém que queria desfrutar com Ele da beleza de sua criação, do que ficar aprisionado numa estrutura de concreto, frio e escuro.
- Mas fazemos isso pra Ele.
- Perguntaram alguma vez se Deus queria isso.
- Mas não fomos feitos para Seu louvor.
- Não, Deus, quando enviou seu filho ao mundo, não foi para morrer pelos pecadores, mas para amá-los é nisso que mora o mistério da fé e da graça, o amor. Quando Jesus constituiu seres humanos para serem os verdadeiros templos de Deus nesse momento houve um processo de recriação da humanidade, onde não fomos feitos para seu louvor, ou para louvá-lo, mas para sermos simplesmente amor. Deus não é amor?
- Sim.
- Se Deus é amor, então a natureza dos cristãos, ou daqueles que vivem dentro da ótica divina seria o amor, não é verdade? Então como manifestar o amor de Deus? Jesus nos dá várias vezes a resposta, mas em especial na parábola do bom Samaritano. Agora, dá para amar ao próximo preso a um sistema como a igreja?
- Dá.
- Mas quando você se torna membro da política interna da igreja, onde há conchavos, lutas por interesses, mandos e desmandos, questões financeiras, intrigas e etc. Ainda dá para exercitar essa natureza de Deus?
- Realmente não dá, na verdade, quando nos envolvemos com estas coisas burocráticas perdemos um pouco a simplicidade de tudo isso que dizes. Mas não há como se libertar disso.
- Se creres em Cristo verdadeiramente serás livre. Livre da burocracia, da institucionalização do amor e poderás sentar comigo aqui, conversar e desfrutar da beleza destas árvores, do canto dos pássaros. Poderemos andar e abraçar as pessoas e chorar pelos oprimidos deste mundo. Sem crises, sem lei, sem dogma. Jesus nos chama para longe da religião, mesmo que para isso nos sintamos sozinhos.
- Essa perspectiva me dá medo.
- Realmente, a princípio os discípulos também tiveram medo, porque a maioria eram bons judeus, religiosos, apesar de excluídos e discriminados. Com o tempo e a cada caminhada, viam com segurança o amor de Deus se manifestar em cada um, mesmo quando pecavam.
- Não sei o que pensar.
- Fique em paz, apenas deixe fluir o amor de Deus na sua vida e verás que é muito mais fácil se livrar da religião do que você pensa.

Eles se levantaram e o homem parou um pouco para respirar e tentar absorver tudo aquilo e fez isso olhando para os céus e quando voltou a olhar para aquele que lhe contava tudo aquilo, viu que tinha partido de forma misteriosa deixando no local apenas uma rosa com alguns espinhos.

Aquele homem pegou a rosa e a guardou em sua bíblia, mas antes a observou com cuidado e viu todos os seus cravos e se recordou da coroa de espinhos de seu mestre e nesse momento percebeu quem era o homem que lhe falava de forma tão doce, porém tão profunda.

Era Jesus de Nazaré.

Paz e bem

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barrablog05Mulher adúltera


José Barbosa Junior

Desde pequena eu sabia o que era certo.
Meu pai, um dos principais da sinagoga, fazia questão de nos ensinar toda a Torá desde pequeninos. Na verdade, ele ensinava somente aos meus irmãos, mas eu me aventurava em ouvir os ensinos, escondida atrás da porta. Achava fascinante, e ao mesmo tempo pesado... eram tantas leis, tantos mandamentos...
Será que algum homem seria capaz de cumpri-los todos? Sinceramente, achava impossível... e me calava.
A esperança brilhava nos meus olhos quando o ouvia falando do tal messias, o que viria para salvar o seu povo. Como deveria ser? Será que o tal messias me olharia um dia nos olhos? Ou será que estava condenada a viver minha vida toda atrás das portas... escondida dos homens?
O tempo passou. Cresci, e ainda em minha adolescência fui obrigada a casar com um homem a quem não amava. Era o costume, e assim foi... Eu era cuidada por ele como um objeto precioso, havia respeito, mas não amor, amor que eu tanto procurava. Os amigos de meu pai me consideravam uma jovem muito bonita e faziam questão de externarem suas opiniões. Eu gostava. Não ouvia tais elogios de meu marido.
Fui me acostumando àqueles elogios. Na verdade alguns eram até ousados demais, e me deixavam sem graça, pois percebia suas intenções, podres intenções. Eram homens casados também, oficiais na sinagoga, alguns anciãos, outros mais jovens, mas queriam que eu os servisse, nem que fosse por uma noite apenas.
Aquela situação me causava muito desconforto. Sentia raiva,e até mesmo nojo daqueles homens... exceto um, que me chamava a atenção. Era casado também, mas parecia me querer bem... fui seduzida!
Nunca imaginara trair meu marido, mas naquela madrugada, antes do nascer do sol me entreguei àquele homem. Nem de longe imaginava o que ainda estava por acontecer.
Os outros homens, amigos do meu pai, haviam percebido o meu envolvimento, e seguiram-nos até nos pegarem em pleno ato de adultério. Meu dia estava apenas começando. Quanta vergonha!!!
Pegaram-me, nua, e carregaram-me para o Templo, onde um homem de Nazaré ensinava naquela manhã que nascia. Havia uma multidão para ouvi-lo. A vergonha era maior ainda. Muitos me conheciam... muitos conheciam meu pai... muitos conheciam meu marido.
Tive medo!
Fui jogada no meio da multidão, que se acotovelava para ouvir o tal profeta Galileu. Achei estranho perceber que estava só. Apesar de eu e meu então amante sermos pegos juntos no ato de adultério, apenas eu fui levada como adúltera... ele não!
Olhei então e vi aqueles homens que antes me assediavam, perguntando àquele Rabi: “mestre, esta mulher foi surpreendida em adultério. Na lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. Tu, porém, o que dizes?”
Eu olhava aquela cena e meu nojo aumentava. Os homens que queriam apedrejar-me eram os mesmos que viviam se insinuando para mim. Quanta hipocrisia. Quanto ódio tive da religião!
O tal Rabi galileu permanecia calado.
De repente, inclinou-se e começou a escrever na terra com seu próprio dedo. Eu não acreditava no que meus olhos começavam a ler.
Aquele homem começou escrevendo o meu nome, e abaixo do meu nome começou a enumerar os meus pecados. TODOS os meus pecados!
Eu queria a morte naquele momento. Que as pedras viessem logo. Não suportaria tanta vergonha.
Num ímpeto, o Rabi levantou-se e disse àqueles homens, meus censores, prontos a colocar sob um monturo de pedras mais uma adúltera: “quem dentre vós que não tem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra!” ... E voltou a escrever meus erros na terra.
Algo muito estranho começou a acontecer: a começar dos mais velhos, um por um, forma largando as pedras em seus pés, virando as costas, e indo embora.
Ficamos só eu e o tal profeta.
Eu tremia!
Ele calmamente levantou-se e veio em minhas direção. Percebi algo no seu olhar. Era diferente. Ele não me desejava. Vi amor no seu olhar. Nunca antes alguém havia me olhado assim. Enquanto caminhava em minhas direção, não tive como não perceber que suas pegadas firmes e constantes, pisavam e apagavam a minha enorme lista de pecados. Lembrei-me de um texto que sempre ouvia meu pai ensinar aos meus irmãos: “pelas suas pisaduras fomos sarados”.
Seria esse Rabi, diante de mim, o messias esperado? Bem que eu já havia ouvido rumores a respeito disso.
Ele aproximou-se de mim, e tirando a sua capa. Cobriu a minha nudez.perguntou-me com uma voz inconfundivelmente firme e amorosa: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?”
Minha voz trêmula conseguiu balbuciar: “Ninguém, Senhor!”
Ele então, segurando em minhas mãos e erguendo-me do chão, olhou nos meus olhos e disse: “Nem eu te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais.”
Meus olhos marejados ainda puderam ver aquele homem se afastando e voltando a ensinar o povo. Eu estava verdadeiramente diante do messias!
Olhei para o chão e lá estavam todos os meus pecados marcados com a sola dos pés daquele rabi. Só uma coisa não havia sido pisado: o meu nome! Ele estava intacto, escrito pelas mãos do próprio salvador. Lembrei-me então de um outro texto sempre recitado pelo meu pai, acerca do messias: “Ele não esmagará a cana quebrada, nem apagará o pavio que ainda fumega...”
Fui para casa... mas sabia que daquele dia em diante nunca mais seria a mesma. Nunca esquecerei de seu olhar, sua voz, e seu amor: “Nem eu te condeno!”
Prossigo em meu caminho, às vezes tropeçando, mas sempre com sua fala graciosa ecoando em mim: “Vai, e de agora em diante... não peques mais!”

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barra blog04A verdadeira compaixão


Brennam Manning
O Impostor Que Vive Em Mim, p. 82-84.

A homofobia e o racismo estão entre as questões morais mais sérias e inquietantes desta geração, e tanto a Igreja quanto a sociedade parecem nos limitar a alternativas antagônicas. A moralidade liberal de religiosos e políticos de esquerda é equivalente ao moralismo beato dos religiosos e políticos de direita. A aceitação acrítica de qualquer uma dessas linhas partidárias é uma forma de abdicação idólatra à essência da identidade como filho de Deus. Nem a delicadeza liberal nem a truculência dos conservadores focam a questão da dignidade humana, sempre vestida com farrapos. Os filhos de Deus encontram uma terceira via. São guiados pela Palavra de Deus e apenas por ela. Todos os sistemas religiosos e políticos, tanto de direita quanto de esquerda, são obras de seres humanos. Os filhos de Deus não venderão seu direito à primogenitura por nenhum prato de ensopado, seja ele conservador ou liberal. Eles se apegam a liberdade em Cristo para viver o Evangelho ― não se permitem contaminar pelo lixo cultural, pela imundície política ou pelas hipocrisias enfeitadas de discursos religiosos.

Os que estão inclinados a entregar os gays aos torturadores não podem reivindicar nenhuma autoridade moral sobre os filhos de Deus. Durante o tempo que viveu na terra, Jesus via essas pessoas obscuras como as responsáveis pela corrupção da natureza essencial da religião. Esse tipo de religião restrita e separatista é um lugar isolado, um Éden coberto de mato, uma igreja na qual as pessoas vivem em uma alienação espiritual qua as distancia de seus melhores talentos humanos. Buechner escreveu:

— Sempre soubemos o que estava errado conosco: a maldade, até mesmo no mais civilizado entre nós; nossa falsidade, as máscaras atrás das quais mantemos nossos reais interesses; a inveja, forma pela qual a sorte das outras pessoas pode nos aferroar como vespas; e todo tipo de calúnia, o modo como ridicularizamos uns aos outros, mesmo quando nos amamos. Tudo isso é de uma baixeza e de um absurdo infantis. “Livre-se disso”, diz Pedro. “Cresça na salvação. Em nome de Cristo, cresça.” (Frederich Buechner, The Clown in the Belfry, p.146)

A ordem de Jesus para nos amarmos uns aos outros nunca se limita à nacionalidade, ao status, à etnia, à preferência sexual ou à amabilidade inerente ao “outro”. O outro, aquele que reivindica meu amor, é qualquer um a quem sou capaz de reagir, como ilustra com clareza a parábola do bom samaritano. “Qual destes três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?”, perguntou Jesus. A resposta foi: “Aquele que teve misericórdia dele”. Jesus disse: “Vá e faça o mesmo” (cf. Lc 10:36-37, NVI).

— Dê uma olhada na rosa. É possível para ela dizer: “Vou oferecer minha fragrância às pessoas boas e negá-la às más”? Ou dá para imaginar uma lâmpada que retem seus raios luminosos para o ímpio que busca andar em sua luz? Só poderia fazer isso se deixasse de ser lâmpada. E observe o modo inevitável e indiscriminatório pelo qual a árvore fornece sombra a todos, bons e ruins, jovens e velhos, grandes e humildes; os animais, os humanos e a toda criatura vivente, mesmo aquele que procura cortá-la. Esta é a principal característica da compaixão: seu caráter indiscriminado. (Anthony DEMello, The Way to Love, 1991, p. 77)


Via Urro do Leão

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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

barra blog04Chama Verequete






O termo "carimbó" aparece em seus primeiros registros como o nome de um instrumento musical de percussão. Sua definição mais antiga consta no Glossário Paraense de Vicente Chermont de Miranda, publicado em 1905. Conforme Chermont, o carimbó seria um “tambor feito de madeira oca e coberto, em uma de suas extremidades, por um couro de veado”. Tal definição, ainda hoje, serve para explicar o formato do instrumento e apresentar suas principais características.

No entanto, a palavra carimbó, na atualidade, significa muito mais do que apenas o nome do tambor. Abrange, na verdade, todo um conjunto musical que vai do instrumento à dança. Corresponde a um tipo de manifestação específica de algumas áreas do Pará e mesmo do Maranhão. Ele se caracteriza pela utilização de dois tambores (carimbós), que deram nome à música e à dança, além de outros instrumentos próprios como a onça (nome local dado à cuíca), o reco-reco (instrumento dentado feito de bambu), a viola, etc. Também se conhece uma variante musical do carimbó que possui o mesmo nome (chamado de “carimbó eletrônico”), mas que, ao invés da marcação rítmica com os tambores característicos, utiliza uma bateria eletrônica e guitarras.

Augusto Gomes Rodrigues – mestre Verequete nasceu em um lugar conhecido por "Careca" que fica localizado próximo à Vila de Quatipuru, no município de Bragança, em 26 de agosto de 1926. Seu pai, Antônio José Rodrigues, era oficial de justiça, marchante de gado e músico. Sua mãe, Maximiana Gomes Rodrigues, faleceu quando Verequete tinha apenas três anos de idade. Tal acontecimento antecedeu a primeira migração de Verequete para outro município. Ele, juntamente com seu pai, passou a residir no município de Ourém. Aos doze anos de idade mudou-se sozinho para Capanema, onde trabalhou como foguista, e em 1940 chegou a Belém, indo morar em Icoaraci (antiga Vila de Pinheiro). Neste período, Verequete trabalhou como ajudante de capataz na Base Aérea da cidade e subiu de posto até chegar a ser ajudante de agrimensor. Quando deixou de trabalhar na Base, Verequete exerceu outras atividades para garantir sua subsistência. Foi arremate de vísceras, açougueiro, marchante de porco e outros, no entanto a experiência de trabalho na Base Aérea marcaria para sempre sua vida, pois foi durante este trabalho que ele perdeu seu nome original (Augusto Gomes Rodrigues) e passou a ser identificado como Verequete. Por trás deste nome tão diferente existe uma história muito interessante que pode ser contada pelo próprio Augusto Gomes Rodrigues, ou Verequete. Uma história que ele não se cansa de contar:
Eu gostava de uma moça; então ela me convidou para ir ao batuque que eu nunca tinha visto. Umas certas horas da madrugada o Pai de Santo cantou "Chama Verequete". Eu era capataz da Base Aérea de Belém, na época da construção, cheguei na hora do almoço e contei a história do batuque... Quando acabei de contar, me chamaram de Verequete.

Chama Verequete, ê, ê, ê, ê
Chama Verequete, ô, ô, ô, ô
Chama Verequete, ruuuum
Chama Verequete...
Chama Verequete, oh! Verê
Oi, chama Verequete, oh! Verê
Ogum balailê, pelejar, pelejar
Ogum, Ogum, tatára com Deus
Guerreiro Ogum, tatára com Deus
Mamãe Ogum, tatára com Deus
Aruanda, aruanda, aruanda, aruanda ê
Mandei fazer meu terreiro
bem na beirinha do mar
mandei fazer meu terreiro
só pra mim brincar

Fonte: Instituto Jair Moura e Overmundo

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barra blog04Carimbó - Patrimônio dos Paraenses


História do Carimbó

A mais extraordinária manifestação de criatividade artística do povo paraense foi criada pelos índios Tupinambá que, segundo os historiadores, eram dotados de um senso artístico invulgar, chegando a ser considerados, nas tribos, como verdadeiros semi-deuses.
Inicialmente, segundo tudo indica, a "Dança do Carimbó" era apresentada num andamento monótono, como acontece com a grande maioria das danças indígenas. Quando os escravos africanos tomaram contato com essa manifestação artística dos Tupinambá começaram a aperfeiçoar a dança, iniciando pelo andamento que , de monótono, passou a vibrar como uma espécie de variante do batuque africano.

Por isso contagiava até mesmo os colonizadores portugueses que, pelo interesse de conseguir mão-de-obra para os mais diversos trabalhos, não somente estimulavam essas manifestações, como também, excepcionalmente, faziam questão de participar, acrescentando traços da expressão corporal característica das danças portuguesas. Não é à toa que a "Dança do Carimbó" apresenta, em certas passagens, alguns movimentos das danças folclóricas lusitanas, como os dedos castanholando na marcação certa do ritmo agitado e absorvente.

Coreografia:

A dança é apresentada em pares. Começa com duas fileiras de homens e mulheres com a frente voltada para o centro. Quando a música inicia os homens vão em direção às mulheres, diante das quais batem palmas como uma espécie de convite para a dança. Imediatamente os pares se formam, girando continuamente em torno de si mesmo, ao mesmo tempo formando um grande círculo que gira em sentido contrário ao ponteiro do relógio. Nesta parte observa-se a influência indígena, quando os dançarinos fazem alguns movimentos com o corpo curvado para frente, sempre puxando-o com um pé na frente, marcando acentuadamente o ritmo vibrante.

As mulheres, cheias de encantos, costumam tirar graça com seus companheiros segurando a barra da saia, esperando o momento em que os seus cavalheiros estejam distraídos para atirar-lhes no rosto esta parte da indumentária feminina. O fato sempre provoca gritos e gargalhadas nos outros dançadores. O cavalheiro que é vaiado pelos seus próprios companheiros é forçado a abandonar o local da dança.

Em determinado momento da "dança do carimbó" vai para o centro um casal de dançadores para a execução da famosa dança do peru, ou "Peru de Atalaia", onde o cavalheiro é forçado a apanhar, apenas com a boca, um lenço que sua companheira estende no chão. Caso o cavalheiro não consiga executar tal proeza sua companheira atira- lhe a barra da saia no rosto e, debaixo de vaias dos demais, ele é forçado a abandonar a dança. Caso consiga é aplaudido.

Indumentária:

Todos os dançarinos apresentam-se descalços. As mulheres usam saias coloridas, muito franzidas e amplas, blusas de cor lisa, pulseiras e colares de sementes grandes. Os cabelos são ornamentados com ramos de rosas ou jasmim de Santo Antônio. Os homens apresentam-se com calças de mescla azul clara e camisas do mesmo tom, com as pontas amarradas na altura do umbigo, além de um lenço vermelho no pescoço.

Denominação:

A denominação da "Dança do Carimbó" vem do titulo dado pelos indígenas aos dois tambores de dimensões diferentes que servem para o acompanhamento básico do ritmo.

Na língua indígena "Carimbó" - Curi (Pau) e Mbó ( Oco ou furado), significa pau que produz som. Em alguns lugares do interior do Pará continua o título original de "Dança do Curimbó".

Mais recentemente , entretanto, a dança ficou nacionalmente conhecida como "Dança do Carimbó", sem qualquer possibilidade de transformação.

Instrumentos típicos:

O acompanhamento da dança tem, obrigatoriamente, dois "carimbos" (tambores) com dimensões diferentes para se conseguir contraste sonoro, com os tocadores sentados sobre os troncos, utilizando as mãos à guisa de baquetas, com os quais executam o ritmo adequado.

Outro tocador, com dois paus, executa outros instrumentos obrigatórios, como o ganzá, o reco-reco, o banjo, a flauta, os maracás, afochê e os pandeiros. Esses instrumentos compõem o conjunto musical característico, sem a utilização de instrumentos eletrônicos.

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